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Crosslinking corneano para ceratocone: como funciona?

Crosslinking corneano para ceratocone: como funciona?
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)
7 min. de leitura

O procedimento melhora a resistência da córnea a deformações e interrompe a progressão da doença

Crosslinking corneano é um tratamento cirúrgico para ceratocone, uma doença dos olhos que afeta a curvatura e espessura da córnea, atingindo cerca de 150 mil brasileiros por ano, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). A seguir, saiba mais sobre a técnica que evita a progressão dessa condição.

O que é ceratocone?

O ceratocone é uma condição rara que envolve a deformação progressiva da córnea, resultando em um afinamento dessa estrutura. Esse afinamento faz com que a córnea se projete para a frente, adquirindo uma forma cônica. A deformação da córnea compromete a clareza das imagens na retina e resulta em alto grau de astigmatismo e miopia.

Além de ser rara, essa doença é hereditária. O ceratocone pode atingir um ou os dois olhos e costuma se manifestar entre os 10 e 25 anos de idade, podendo progredir e se estabilizar com o tempo. A causa exata dessa condição ainda não é conhecida.

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O que é o crosslinking corneano?

O tratamento do ceratocone depende da progressão da doença, podendo corrigir a visão com o auxílio de óculos ou lentes de contato. Em outras situações, é necessário recorrer a tratamentos específicos, como a cirurgia de crosslinking, também conhecida como crosslinking corneano ou CXL.

O crosslinking corneano é uma abordagem menos invasiva para tratar o ceratocone e tem o objetivo de impedir a progressão da doença ao reforçar a rigidez e resistência da córnea. O procedimento é rápido e indolor, sendo realizado sob uso de colírio anestésico, com duração média de uma hora e meia.

Como funciona o crosslinking corneano?

O crosslinking da córnea é um procedimento que utiliza a combinação de luz ultravioleta e riboflavina para criar ligações moleculares de colágeno na córnea. Com isso, essas novas ligações fortalecem a córnea e ajudam a estabilizar efetivamente a progressão do ceratocone.

Preparação para o procedimento

A preparação começa com a avaliação oftalmológica, incluindo exames de tomografia de córnea, topografia e medição da espessura da córnea para a liberação cirúrgica e o planejamento do procedimento. Lentes de contato são suspensas por um período determinado para uma análise mais precisa.

O procedimento passo a passo

O especialista inicia o procedimento com a aplicação de um colírio anestésico para o conforto do paciente e com a fixação dos olhos com um dispositivo para evitar que eles se fechem ou se movimentem. A camada externa da córnea, chamada epitélio, é removida manualmente ou com o uso do laser para a penetração dos ativos do tratamento.

Em seguida, o especialista aplica a riboflavina (vitamina B12) e a luz ultravioleta de 370 nm sobre a córnea. Por fim, uma lente de contato terapêutica é inserida nos olhos para funcionar como um curativo, protegendo a córnea enquanto o epitélio se recupera depois do crosslinking da córnea.

Papel da riboflavina e da luz ultravioleta

A riboflavina (vitamina B2) é aplicada diretamente na córnea para que ela possa penetrar no estroma corneano, ligar-se às fibras de colágeno e sensibilizá-las. Esse passo é essencial no crosslinking da córnea, pois a riboflavina ajuda a criar uma reação química quando exposta à luz ultravioleta.

A luz ultravioleta (UV) é então aplicada à córnea tratada com riboflavina. A exposição à luz UV ativa a riboflavina, que promove a formação de novas ligações entre as fibras de colágeno. Essas novas ligações fortalecem a córnea e estabilizam sua forma, ajudando a interromper a progressão do ceratocone e aumentando sua resistência a deformações.

Dessa forma, ambas as aplicações são fundamentais no crosslinking corneano, uma vez que a riboflavina prepara a córnea para a reação com a luz UV, enquanto a luz UV ativa a riboflavina para fortalecer as fibras de colágeno e estabilizar a córnea.

Benefícios do crosslinking corneano

Existem diversas vantagens relacionadas ao crosslinking corneano, em especial por ele ser um procedimento minimamente invasivo que reduz a necessidade de transplante de córnea, um tratamento mais invasivo e complexo. Os principais benefícios são:

Estabilização do ceratocone

O principal benefício do crosslinking corneano é a eficácia em estabilizar a progressão do ceratocone. Ao reforçar as fibras de colágeno na córnea, o procedimento ajuda a impedir que a condição evolua e cause mais degradação da estrutura corneana, evitando que a córnea se torne mais fina e deformada.

Melhora da qualidade da visão

Embora o crosslinking corneano não corrija completamente a visão, a técnica diminui a necessidade de ajustar o grau de óculos e lentes de contato constantemente devido ao controle da progressão da doença. Em algumas situações, o tratamento pode melhorar a visão ao reduzir a distorção provocada pela deformação da córnea.

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Possíveis riscos e efeitos colaterais

Assim como em outros procedimentos, o crosslinking corneano apresenta riscos e efeitos colaterais, que costumam ser passageiros. Alguns dos mais comuns são o desconforto durante a regeneração do epitélio e a cicatrização da córnea, que é geralmente descrito como uma sensação de areia ou queimação no olho.

A acuidade visual pode variar durante o período de recuperação do crosslinking da córnea. Mesmo após a estabilização, podem ocorrer pequenas flutuações ocasionalmente. Cada quadro deve ser acompanhado individualmente pelo oftalmologista.

Recuperação e cuidados pós-operatórios

A recuperação e os cuidados durante o pós-operatório do crosslinking da córnea costumam ser simples:

Recuperação imediata

A recuperação é rápida, sendo possível voltar às atividades em poucos dias, mas é normal ficar com a visão turva e sentir desconfortos durante a primeira semana. Os olhos podem lacrimejar mais do que o normal e o paciente também pode perceber uma certa sensibilidade à luz.

Cuidados no longo prazo

Apesar de a recuperação do procedimento ser rápida, alguns cuidados devem se estender no longo prazo para maior conforto do paciente. As medidas a serem seguidas incluem:

  • Utilizar os colírios recomendados pelo médico para prevenir infecções, reduzir a inflamação e manter a córnea hidratada;
  • Proteger os olhos de elementos irritantes, como poeira e fumaça;
  • Não esfregar os olhos;
  • Utilizar óculos de sol para evitar o desconforto da luz intensa;
  • Evitar atividades irritantes, como natação ou o uso de maquiagem nos olhos até a completa cicatrização;
  • Aguardar cerca de três meses para a prescrição de novos óculos ou de lentes de contato.

Quem é candidato ao crosslinking corneano?

O crosslinking corneano é indicado para pacientes portadores do ceratocone em estágios leves e moderados da doença, desde que cumpram alguns requisitos. Existem outros tratamentos para aqueles que não podem ser submetidos a essa técnica.

Critérios de elegibilidade

O paciente diagnosticado com ceratocone é elegível para o tratamento de crosslinking da córnea se cumprir critérios, como:

  • Ter córnea transparente ou não gravemente lesionada;
  • Espessura de, pelo menos, 400 micras na córnea;
  • Curvatura da córnea deve ser menor do que 70 dioptrias;
  • Idade superior a 14 anos.

Alternativas ao crosslinking

Os anéis intracorneanos são uma das alternativas cirúrgicas para quem não pode se submeter ao crosslinking corneano. Esse procedimento tem o propósito de restaurar o formato arredondado da córnea para melhorar a qualidade visual do paciente, mas não impede a progressão da doença.

Embora seja mais uma das alternativas, o transplante de córnea costuma ser a última indicação de tratamento para ceratocone, já que envolve mais riscos. Nesse caso, o tratamento consiste na substituição da córnea comprometida pela doença por outra saudável disponível em um banco de olhos.

Agende sua consulta com a Clínica de Olhos – https://www.clinicaolhosdarciosilveira.com.br/agendar-consulta/

Fonte:

Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO)

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